ESQUIZOFRENIA | A FACE MAIS OBSCURA DA DOENÇA MENTAL



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As formas mais graves e amplas de doenças mentais acha-se esquizofrenia.Numero de pessoas diagnosticadas com esquizofrenia aumenta a cada ano. Entenda Mais.

ESQUIZOFRENIA – Enquanto esteve hospitalizada, Irene teve mais crises de confusão de identidades — abraçando médicos e enfermeiras como se fossem parentes há muito falecidos.

Imaginou poder sentir odores imperceptíveis a outros. Estava convicta de que a equipe hospitalar visava matá-la! “Tiveram de me amarrar à minha cama, uma vez”, admite ela.

Qual foi o diagnóstico?

Esquizofrenia, uma doença que, com o tempo, afligirá pelo menos uma de cada 100 pessoas.

Mais de cem mil novos casos por ano são diagnosticados apenas nos Estados Unidos.

O esquizofrênico não apresenta uma personalidade dividida, no sentido de uma personalidade dupla ou múltipla (um distúrbio diferente e raro), e sim uma personalidade danificada.

Considere, à guisa de exemplo, um rapaz chamado Geraldo, descrito por seu médico como ‘um caso típico dum compêndio’ de esquizofrenia. Seus olhos vagam num instante, e, no próximo minuto, são ameaçadoramente hostis.

Sua linguagem é uma mistura confusa de temor (“As pessoas me chamaram aqui para me eletrocutar”) e de delusão (“Essa foto está com dor de cabeça”). Vozes interiores o aterrorizam. Seu cérebro é uma confusão total.

A esquizofrenia produz ampla gama de sintomas bizarros: alucinações, vozes interiores, modo de pensar desordenado, temores irracionais, e emoções que parecem destoar com a realidade.

O que a provoca? Há apenas uma década, os médicos acusavam os pais de enlouquecer seus filhos. Agora, alguns acham que se dá mais o inverso. Os pais sofrem enorme stress e tensões quando um filho é esquizofrênico.

Assim, a maioria dos médicos afirma atualmente que foi um equívoco culpar os pais.

Mas, mesmo que irritem, parece improvável que apenas isto faça com que seus filhos tenham esquizofrenia. Estão envolvidos fatores muito além do controle dos pais.

 

ESQUIZOFRENIA | O COMPONENTE QUÍMICO

Nicolau e Alberto (pseudônimos) eram gêmeos idênticos. Separados ao nascerem, Nicolau foi criado por amorosos pais adotivos, e Alberto por uma avó apática.

Em tenra idade, as ‘sementes’ da esquizofrenia começaram a germinar em ambos. Nicolau provocava incêndios e roubava. Alberto, também, tinha afinidade pelo fogo — e por torturar cães.

A plena esquizofrenia se manifestou e ambos acabaram internados em hospitais psiquiátricos.

Coincidência? Ou será que os genes portam a esquizofrenia? Há 14 pares conhecidos de gêmeos criados separadamente em que um deles apresentou esquizofrenia.

Nove irmãos destes também apresentaram a doença. Evidentemente, os genes desempenham sua parte na esquizofrenia. Curiosamente, porém, quando duas pessoas com esquizofrenia se casam, existem apenas 46 por cento de probabilidades de que seus filhos também manifestem a esquizofrenia.

“Se a esquizofrenia fosse realmente resultante dum gene dominante, 75% dos filhos deveriam apresentar a esquizofrenia”, segundo o livro Schizophrenia: The Epigenetic Puzzle (Esquizofrenia: O Enigma Epigenético).

Deve haver algo mais envolvido do que os genes. Os autores do livro Mind, Mood and Medicine (A Mente, a Disposição e a Medicina) conjecturam: “É bem sabido que as experiências psicológicas — por exemplo, o stress das batalhas — podem influir profundamente no funcionamento químico, hormonal e fisiológico do corpo.

Nas doenças psiquiátricas, uma experiência psicológica pode, com freqüência, ser identificada como o fator precipitante, numa pessoa vulnerável.”

E onde é que se enquadram nisso os genes? Prosseguem os Drs. Wender e Klein: “Nosso conceito geral é de que os fatores genéticos podem tornar um indivíduo vulnerável a certas formas de experiência psicológica.”

Assim, ao passo que a esquizofrenia em si talvez não seja hereditária, a predisposição a ela bem que pode ser.

 

ESQUIZOFRENIA | CÉREBROS ANORMAIS

A revista Schizophrenia Bulletin apresenta ainda outra peça do quebra-cabeça: “A evidência apresentada sugere que o cérebro dos pacientes com esquizofrenia com freqüência apresenta anormalidades.”

O Dr. Arnold Scheibel afirma que, na área do cérebro chamada hipocampo, as células nervosas dos pacientes normais acham-se alinhadas “quase como soldadinhos”.

Mas no cérebro de alguns esquizofrênicos, “as células nervosas e seus processos acham-se completamente fora de alinhamento”. Isto, acredita ele, poderia ser responsável pelas alucinações e delusões do esquizofrênico.

Verificou-se que outros esquizofrênicos possuíam ventrículos cerebrais ampliados. O mais intrigante de tudo é a descoberta de que os cérebros de pessoas mentalmente enfermas talvez contenham defeitos bioquímicos! 

Até a data, porém, não se verificou nenhuma anormalidade cerebral ou defeito bioquímico singular que seja comum a todos com esquizofrenia.

Os médicos crêem assim que a esquizofrenia bem que pode ser “muitos distúrbios, havendo uma multiplicidade de causas”.

[Schizophrenia: Is There an Answer? (Esquizofrenia: Existe Solução?)] Um vírus de ação lenta, deficiências vitamínicas, distúrbios metabólicos, alergias alimentares — estes são apenas alguns dos fatores que se afirma estarem envolvidos na esquizofrenia.
Mas, embora a causa e o mecanismo exatos dessa doença ainda escapem à ciência médica, o Dr. E. Fuller Torrey afirma: “A esquizofrenia é uma doença cerebral, agora reconhecida definitivamente como tal.

Trata-se de uma entidade científica e biológica real, tão patente como o diabetes, a esclerose múltipla e o câncer são entidades científicas e biológicas.” Existe também evidência de que distúrbios depressivos acham-se similarmente ligados à biologia.

A doença mental perdeu assim sua aura de mistério — e seu estigma. A possibilidade de tratá-la tornou-se uma realidade tangível.

 

ESQUIZOFRENIA | TRATAMENTOS ALTERNATIVOS

É interessante que o açúcar, o trigo, o leite, e o chumbo, bem como deficiências vitamínicas, têm sido todos implicados como provocando distúrbios emocionais.

Isto suscita a possibilidade de um tratamento nutricional para a esquizofrenia. Tal enfoque já obteve certa medida de êxito em tratar a depressão. E alguns pesquisadores — incluindo Linus Pauling, Prêmio Nobel — afirmam que grandes doses de vitaminas reduziram dramaticamente os sintomas da esquizofrenia em alguns pacientes.

Isto é chamado de psiquiatria ortomolecular.

A idéia — pelo menos em princípio — parece sólida para muitos. Os psiquiatras ortomoleculares apontam que uma doença chamada pelagra, provocada por carência de vitamina B, apresenta sintomas psicóticos.

Qual a cura? Grandes doses da vitamina chamada niacina. Mas será que um tratamento similar dá certo para a esquizofrenia? Até agora, os psiquiatras ortomoleculares não conseguiram convencer seus colegas mais ortodoxos.

Um informe do NIMH (Instituto Nacional de Saúde Mental, dos EUA) acautelava: “Embora parecesse que a teoria da psiquiatria ortomolecular apresentasse uma área potencial de pesquisa e de investigação, as afirmações correntes de sua eficácia terapêutica podem derivar pouco apoio, se é que algum, dos estudos [científicos].”

Nem é preciso dizer que o bom senso recomenda uma dieta equilibrada e nutritiva. Um médico, porém, pode provavelmente determinar melhor se existe grave carência vitamínica.

O Dr. David Shore, do Setor de Pesquisas Sobre a Esquizofrenia do NIMH parecia resumir a atitude da medicina tradicional quando disse: “Todo o mundo gostaria de ter uma resposta fácil para a esquizofrenia — como as vitaminas ou a diálise. Mas, não é tão simples assim. Quem dera que fosse.”

 

A QUÍMICA DA ESQUIZOFRENIA

Nosso cérebro é uma rede incrivelmente complexa de comunicações, ligando bilhões de neurônios, ou células nervosas.

Todavia, os neurônios não estão fisicamente ligados uns aos outros. Uma sinapse ou espaço, que mede apenas 2,5 bilionésimos de milímetro separa seus prolongamentos semelhantes a tentáculos, ou dendritos.

Para que os impulsos nervosos fluam suavemente, os sinais nervosos têm de pular estas sinapses. Para fazer isso, a célula libera um batalhão de “mensageiros” químicos, chamados neurotransmissores.

Estes “nadam” pela sinapse e se unem aos receptores especiais, cada um estando projetado para aceitar uma substância química específica.

Numa célula cerebral normal, toda esta atividade decorre suave e ordeiramente. Nos esquizofrênicos, contudo, a neurotransmissão parece fugir do controle.

Alguns acham que um excesso de dopamina estimula sobremaneira os neurônios e faz com que eles “não disparem”.

O resultado pode ser idéias desconexas. Curiosamente, porém, nem todos os esquizofrênicos apresentam elevados níveis cerebrais de dopamina.

Poderia dar-se que certos cérebros são apenas supersensíveis à dopamina? Ou existem diferentes tipos de esquizofrenia? Ou poderia acontecer que alguma outra anormalidade química se combine com a dopamina?

Ninguém realmente sabe.

Nem ninguém realmente sabe se a química errada provoca a esquizofrenia, ou vice-versa. A química é apenas uma peça do quebra-cabeça da esquizofrenia.

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